Quantas vezes você já conversou com uma grávida que te disse que a "data limite" para o nascimento do filho era o dia X?
Muitas são informadas pelos seus obsTRETAS que a data em que se completa 40 semanas é a data "limite" para o nascimento do bebê, como se ele fosse uma bomba relógio que vai explodir se não nascer em X dias.
Quando o bebê chega no seu limite, ele NASCE.
As 40 semanas usadas nos cálculos de gestações são uma referência, uma média do período a termo de um bebê, que pode durar entre 37 e 42 semanas. Bebês não são máquinas, não se desenvolvem todos da mesma forma e no mesmo tempo e por isso, não poderiam levar o mesmo tempo para ficarem prontos. Cada organismo é um. Quando o pulmão do bebês está pronto, ele solta uma substância no líquido amniótico que desencadeira o trabalho de parto. Ou seja: se não teve trabalho de parto, o pulmão não está maduro e o bebê não está pronto.
Repare como em casos de bebês nascidos prematuramente, com 34, 35 ou 36 semanas, se não houve bolsa rota por infecção urinária ou outro tipo de infecção, e se é um trabalho de parto que começou espontaneamente, com contrações e tudo mais, dificilmente esse bebê terá desconforto respiratório, porque ele é um bebê pronto.
Quantas mulheres você conhece que fizeram cesárea porque "não entraram em trabalho de parto"? Pode apostar que a cesárea dessas mulheres aconteceu com 40 semanas ou menos, sendo que as pesquisas mostram que a maioria das mulheres primigestas (grávidas do primeiro filho) tem os seus bebês depois de 40 semanas.
A medicina baseada em evidências mostra que após 41 semanas, o risco de um bebê ter algum tipo de problema ainda no útero da mãe é três vezes maior. Ou seja, se antes de 41 semanas o risco é de 1:100, depois de 41 semanas ele passa a ser de 3:100.
A gestação passou de 40 semanas, qual a conduta agora?
A conduta é aguardar. Alguns obstetras preferem começar a obervar o bebê com mais frequência após 40 semanas. Os obstetras humanizados, que se baseiam sempre na medicina baseada em evidências, começam a observação após 41 semanas.
No meu caso, quando completamos 41 semanas, fizemos um ultrassom para verificar a vitalidade da bebê. Estava tudo ótimo com a gente.
Dois dias depois, com 41 semanas e 2 dias, fizemos um cardiotoco também para avaliar a vitalidade, e este também mostrou que a bebê estava completamente dentro da normalidade.
Com 41 semanas e 4 dias, novamente fizemos um ultrassom, que também mostrou que estava tudo certinho com a nossa pequena.
**Nota: esse ultimo ultrassom nos deu uma estimativa de peso da bebê de 3,970kg; no dia seguinte, ela nasceu com 3,575kg. A máquina do ultrassom dá uma média e o peso estimado pode variar entre 10 e 15%. Use o ultrassom para ter uma base, mas não leve ao pé da letra**
Ela nasceu no dia seguinte, MUITO bem, muito saudável, respirando super bem e super ativa. Nasceu sabendo mamar e o fez sem a menor dificuldade :-)
O nosso parto foi induzido e isso foi uma opção MINHA. Eu pedi a indução, conversei com a médica, expus os meus motivos, ela colocou os riscos e benefícios de uma indução com essa idade gestacional e eu tomei a decisão. Nunca, em momento algum, foi cogitada a hipótese de se fazer uma cesárea apenas pelo pós-datismo da gestação. A indução do parto sempre deve ser a primeira opção.
** nota mental: fazer um post sobre indução do parto - riscos, condutas e benefícios**
Como funciona o pós-datismo (gestação após 40 semanas) em outros países? (pós-data não é pós-termo hein.. pós-termo é após 42 semanas)
Nos países europeus e tb na América do Norte, a conduta é sempre induzir o parto. O tempo de indução varia de país pra país e da conduta que o obstetra escolhe adotar. A grande maioria dos países, trabalha com conduta expectante do feto (movimentos e batimentos cardíacos) e indução do parto após 41 semanas e 5 dias, ou 42 semanas.
No Brasil, a maioria esmagadora dos GOs, pelo bem de sua agenda e de seu bolso, diz para a gestante que "quer tentar normal" que 40 semanas é a data limite e que depois disso, deve ser feita uma cesárea.
Hein?
Alguma coisa errada aqui nessa terra de Meu Deus, não tem não?
Um blog para falar das minhas escolhas nessa grande jornada que é a maternagem.
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sábado, 7 de abril de 2012
sexta-feira, 6 de abril de 2012
O cordão umbilical
O cordão umbilical é parte fundamental no processo de gestação de um bebê. Ele liga o feto à placenta e é composto por duas artérias e uma veia envolvidos por uma substância gelatinosa que mantém os canais juntos, os protege e impede que eles entrem em colapso.
É por meio dele que o bebê recebe oxigênio, através do sangue que circula na tríade mãe-cordão-bebê.
O cordão alimenta o bebê, que recebe todos os nutrientes que precisa pelo sangue, para que possa crescer forte e saudável na barriga da mamãe.
Tudo que a mãe ingere é levado ao bebê. Por isso durante a gestação é importante cuidar da alimentação. Açucar, alcool, gorduras etc tb são todas transportadas para o bebê, que geralmente, fica mais "agitadinho" na barriga quando recebe essa dose extra de energia (quem nunca ouviu dizer que é bom comer um chocolatinho antes do ultrassom para o bebê se mexer bastante e ficar mais fácil de ver o sexo?).
O cordão umbilical é protagonista de um dos maiores mitos difundidos sobre a gestação. Ora, que tamanha contradição seria se o órgão que mantém o bebê vivo e faz ele crescer, fosse também uma grande ameaça para esse pequeno ser? Seria mesmo a natureza tão imperfeita a esse ponto?
Quantas pessoas ouvimos dizer que tiveram que passar por uma cesárea pois o bebê estava com o cordão enrolado no pescoço?
Minha gente, circular de cordão NÃO MATA bebê nenhum.
Vamos aos fatos:
- O bebê fica na barriga imerso em líquido amniótico. Ou seja: ele não respira. Então, não tem o menor problema se ele estiver com o cordão enrolado no pescoço, pois não há risco de "sufocamento", já que para ser vítima de um sufocamento, você deve primeiro respirar.
- Cerca de 30% dos bebês nascem com pelo menos uma circular de cordão (a minha filha tinha 3). Se fosse assim, 30% dos bebês seriam natimortos devido a sufocamento. Estatística bizarra hein? Nem quando a cesárea não existia (pois ela é um bom recurso para salvar vidas e 15% das mulheres, em média, precisam recorrer a uma cirurgia para extrair o bebê da barriga), havia 30% de natimortos.
Depois que o bebê nasce, ele continua recebendo sangue/oxigênio pelo cordão. O cordão continua pulsando mesmo depois que o bebê está fora da barriga.
Ao nascer e entrar em contato com o oxigênio, o bebê vai ficando com a pele mais rosada e vai aprendendo a respirar aos poucos e a pulsação do cordão vai diminuindo. Quando o cordão pára de pulsar, o bebê já está respirando normalmente.
Quando a mulher passa por uma cesárea, por estar com a barriga completamente aberta e exposta, o cordão deve ser cortado imediatamente para que a barriga seja fechada e diminuir os riscos de infecção. Ao fazer esse corte imediatamente após o nascimento, o bebê perde o recebimento de oxigênio e se vê obrigado a começar a respirar rapidamente para garantir a sua sobrevivência. Esse trabalho abrupto imediato provoca dor nos pulmões do bebê que acabou de nascer, e então, ele começa ao chorar.
Na maioria das vezes, um bebê chora porque se viu obrigado a trabalhar muito rapidamente e forçando muito o pulmão, que é o último órgão a ficar pronto dentro do bebê (muitas vezes, quando a cesárea é eletiva, mesmo com mais de 39 semanas, o pulmão não está completamente maduro. Essa imaturidade do pulmão no nascimento está associada ao desenvolvimento de asma e bronquite na primeira infância).
**Além disso, quando a cesárea é eletiva, muitas vezes o bebê que está dormindo na barriga da mãe é tirado pela cabeça num único puxão, o que causa um susto tremendo e também provoca o choro do bebê.**
No parto humanizado, a fisiologia do corpo da mãe e do bebê é respeitada. Por isso, o cordão é cortado apenas após parar de pulsar completamente, garantindo um começo de vida mais tranquilo para o bebê.
Quando a Ana Luísa nasceu, ela veio imediatamente para o meu colo e não chorou. Ficou ali comigo, quietinha, com os olhões super abertos, com uma carinha muito curiosa, até que o cordão fosse cortado. Ela só chorou quando saiu do meu colo e o pediatra a pegou, e assim que voltou para o meu colo, ficou quietinha e tranquila novamente.
Eu tenho certeza que esse começo de vida tranquilo contribuiu muito para que ela fosse a criança tranquila que é.
Quer mais um motivo para esperar o cordão parar de pulsar?
Segundo dados do Ministério da Saúde, 20,9% das crianças com menos de 5 anos sofrem de anemia. Além de fraqueza muscular e batimentos cardíacos acelerados, a deficiência de ferro é uma das causas de probemas motores e deficiências cognitivas, que podem provocar danos permanentes. Mas o problema parece ter uma solução simples. Estudo realizado por pesquisadores do Instituto de Neonatologia do Hospital de Halland, na Suécia, mostrou que aguardar 3 minutos para cortar o cordão umbilical pode evitar a deficiência de ferro em bebês, diminuindo a incidência de anemia neonatal.
É por meio dele que o bebê recebe oxigênio, através do sangue que circula na tríade mãe-cordão-bebê.
O cordão alimenta o bebê, que recebe todos os nutrientes que precisa pelo sangue, para que possa crescer forte e saudável na barriga da mamãe.
Tudo que a mãe ingere é levado ao bebê. Por isso durante a gestação é importante cuidar da alimentação. Açucar, alcool, gorduras etc tb são todas transportadas para o bebê, que geralmente, fica mais "agitadinho" na barriga quando recebe essa dose extra de energia (quem nunca ouviu dizer que é bom comer um chocolatinho antes do ultrassom para o bebê se mexer bastante e ficar mais fácil de ver o sexo?).
O cordão umbilical é protagonista de um dos maiores mitos difundidos sobre a gestação. Ora, que tamanha contradição seria se o órgão que mantém o bebê vivo e faz ele crescer, fosse também uma grande ameaça para esse pequeno ser? Seria mesmo a natureza tão imperfeita a esse ponto?
Quantas pessoas ouvimos dizer que tiveram que passar por uma cesárea pois o bebê estava com o cordão enrolado no pescoço?
Minha gente, circular de cordão NÃO MATA bebê nenhum.
Vamos aos fatos:
- O bebê fica na barriga imerso em líquido amniótico. Ou seja: ele não respira. Então, não tem o menor problema se ele estiver com o cordão enrolado no pescoço, pois não há risco de "sufocamento", já que para ser vítima de um sufocamento, você deve primeiro respirar.
- Cerca de 30% dos bebês nascem com pelo menos uma circular de cordão (a minha filha tinha 3). Se fosse assim, 30% dos bebês seriam natimortos devido a sufocamento. Estatística bizarra hein? Nem quando a cesárea não existia (pois ela é um bom recurso para salvar vidas e 15% das mulheres, em média, precisam recorrer a uma cirurgia para extrair o bebê da barriga), havia 30% de natimortos.
Depois que o bebê nasce, ele continua recebendo sangue/oxigênio pelo cordão. O cordão continua pulsando mesmo depois que o bebê está fora da barriga.
Ao nascer e entrar em contato com o oxigênio, o bebê vai ficando com a pele mais rosada e vai aprendendo a respirar aos poucos e a pulsação do cordão vai diminuindo. Quando o cordão pára de pulsar, o bebê já está respirando normalmente.
Quando a mulher passa por uma cesárea, por estar com a barriga completamente aberta e exposta, o cordão deve ser cortado imediatamente para que a barriga seja fechada e diminuir os riscos de infecção. Ao fazer esse corte imediatamente após o nascimento, o bebê perde o recebimento de oxigênio e se vê obrigado a começar a respirar rapidamente para garantir a sua sobrevivência. Esse trabalho abrupto imediato provoca dor nos pulmões do bebê que acabou de nascer, e então, ele começa ao chorar.
Na maioria das vezes, um bebê chora porque se viu obrigado a trabalhar muito rapidamente e forçando muito o pulmão, que é o último órgão a ficar pronto dentro do bebê (muitas vezes, quando a cesárea é eletiva, mesmo com mais de 39 semanas, o pulmão não está completamente maduro. Essa imaturidade do pulmão no nascimento está associada ao desenvolvimento de asma e bronquite na primeira infância).
**Além disso, quando a cesárea é eletiva, muitas vezes o bebê que está dormindo na barriga da mãe é tirado pela cabeça num único puxão, o que causa um susto tremendo e também provoca o choro do bebê.**
No parto humanizado, a fisiologia do corpo da mãe e do bebê é respeitada. Por isso, o cordão é cortado apenas após parar de pulsar completamente, garantindo um começo de vida mais tranquilo para o bebê.
Quando a Ana Luísa nasceu, ela veio imediatamente para o meu colo e não chorou. Ficou ali comigo, quietinha, com os olhões super abertos, com uma carinha muito curiosa, até que o cordão fosse cortado. Ela só chorou quando saiu do meu colo e o pediatra a pegou, e assim que voltou para o meu colo, ficou quietinha e tranquila novamente.
Eu tenho certeza que esse começo de vida tranquilo contribuiu muito para que ela fosse a criança tranquila que é.
Quer mais um motivo para esperar o cordão parar de pulsar?
Segundo dados do Ministério da Saúde, 20,9% das crianças com menos de 5 anos sofrem de anemia. Além de fraqueza muscular e batimentos cardíacos acelerados, a deficiência de ferro é uma das causas de probemas motores e deficiências cognitivas, que podem provocar danos permanentes. Mas o problema parece ter uma solução simples. Estudo realizado por pesquisadores do Instituto de Neonatologia do Hospital de Halland, na Suécia, mostrou que aguardar 3 minutos para cortar o cordão umbilical pode evitar a deficiência de ferro em bebês, diminuindo a incidência de anemia neonatal.
Segundo os especialistas suecos, essa pausa é necessária
para que o sangue rico em oxigênio chegue até os pulmões do recém-nascido,
estabelecendo completamente a respiração e elevando os níveis de ferro no
organismo.
Há casos reais de obstrução no cordão umbilical (o que é bem diferente de uma circular no cordão). Essa obstrução pode ser causada, por exemplo, por um nó muito apertado no cordão umbilical (nas lambanças do bebê na barriga quando ele ainda é pequeno, ele mesmo pode causar esse nó no crdão, que vai se apertando conforme o bebê vai cerscendo e se movimentando). Na sua consulta de pré-natal, o seu obstetra vai auscutar o coração do bebê. Batimentos cardíacos dentro da normalidade indicam que a oxigenação do bebê está ok. Em caso de desconfiança de alteração, o médico solicitará um ultrassom com doppler para analisar o fluxo sanguíneo do cordão umbilical e acompanhará o caso-durante o pré-natal. Em caso de bebê em sofrimento fetal (com bradicardia - batimentos mais lentos que o esperado - ou taquicardia - batimentos mais rápidos), o médico analisará o seu caso individualmente e indicará a conduta mais adequada.
Por isso é importante contar com um médico de sua confiança e que confie no seu corpo também.
Nota: Sofrimento fetal é o termo em português, entretanto, não indica que o bebê está sofrendo literalmente e sim que há uma instabilidade nos seus batimentos cardíacos que deve ser observada com muita cautela.
Leia mais sobre obstruções aqui: http://www.paisefilhos.pt/index.php/gravidez/gesta-menu-gravidez-67/201?limit=1&task=view .
Conclusão: Circular de cordão não é, em hipótese alguma, e nem nunca vai ser, indicação de cesárea. Circulares de fazem e desfazem em questão de minutos, conforme o bebê se mexe.
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